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Ser mulher, lá e aqui: imigrantes e refugiadas no Brasil falam sobre os desafios que enfrentaram ao cruzar fronteiras

Enviado em 14/04/2023 - 10:19

Da esquerda para a direita: Maha Mamo (do Líbano), Rosa Paulina (da Venezuela) e Nana Jabbour (da Síria) — Foto: Arquivo pessoal


"Somos vida, somos luz, amor, resistência, coragem e força."

Esses são os adjetivos usados por Rosa Paulina, 36 anos, imigrante da Venezuela, para descrever o que, para ela, é ser mulher. "Mulher é batalhadora e, especificamente como uma mulher migrante, é ser um símbolo emblemático de perseverança", diz.

Assim como muitas mulheres que saíram de seus países de origem, além dos obstáculos enfrentados naturalmente pelo sexo feminino na busca por mais igualdade e respeito na sociedade, há ainda outros fatores. Barreiras de linguagem e dificuldade para se adaptar a uma nova cultura são apenas alguns dentre eles.

Maha Mamo, de 35 anos, por exemplo, nunca teve a nacionalidade reconhecida por nenhum país. De família síria, ela nasceu no Líbano, mas, por questões legais e religiosas, não teve direito à cidadania local.

À Síria, ela também não podia pertencer. Como o pai é cristão e a mãe, muçulmana, o casamento inter-religioso não foi reconhecido no país árabe. Portanto, nem os filhos decorrentes da união.

Sem pátria, ela pediu refúgio ao Brasil em 2014 e se tornou, ao lado da irmã, a primeira apátrida – indivíduo sem nacionalidade – da história a ter a condição reconhecida pelo governo brasileiro.

"Eu me encontrei no Brasil, eu adoro o país. Para mim, hoje a maior luta é a apatridia. Como existem ainda no mundo 24 países onde a mulher não consegue passar a nacionalidade para o próprio filho, pra mim isso é absurdo", diz Maha, que agora é cidadã brasileira.

Já Nana Jabbour, de 23 anos, veio com a família – pai, mãe e duas irmãs, para fugir da guerra da Síria.

“A minha mãe foi o meu maior exemplo de mulher inspiradora, guerreira e resistente. Ela veio ao Brasil sem saber nada do país, da cultura ou do idioma, e mesmo assim começou um trabalho do zero, numa área que não era dela, gastronomia”, conta Nana.

 

Coragem e amor

Rosa Paulina, 36 anos, imigrante da Venezuela, artesã — Foto: Arquivo pessoal

Rosa Paulina é artesã e saiu da Venezuela com o marido e um filho pequeno. Na época, em 2017, ela também estava grávida do segundo bebê. O motivo da vinda ao Brasil, mais especificamente para a capital federal, foi para buscar melhores condições de vida e de trabalho.

Antes de chegar em Brasília, ela passou por Roraima, Manaus, Pará, Piauí e Bahia. Ela lembra que o litoral era bom para suas vendas de artesanato no verão, mas fora de temporada, não. Por isso, decidiu vir para o Distrito Federal.

No entanto, logo depois de se estabelecer, em 2019, se deparou com a pandemia de Covid-19.

"Eu cheguei aqui com uma criança na barriga e outra criança de 1 ano e 8 meses. Foi um momento bem difícil, porque não conhecíamos ninguém. Não tínhamos quem nos ajudasse e a gente se sentiu vulnerável”, diz Rosa, que foi acolhida pelo Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH).

Depois do período turbulento, ela conta, hoje conseguiu estabilidade. Sua loja de produtos autorais está na Torre de TV, na região central de Brasília.

"Nós mulheres migrantes atravessamos por muita coisa e temos que nos adaptar muito rápido. A gente luta, mas luta com amor, com uma força positiva que pulsa. É essa a energia que a mulher tem, essa capacidade de conseguir fazer várias tarefas ao mesmo tempo", afirma.

 

'Quero viver do jeito que eu gosto, não do jeito que as pessoas esperam'

Maha Mamo, 35 anos, palestrante, no Palácio do Itamaraty em dezembro de 2022 — Foto: Divulgação/ACNUR/Vanessa Beltrame

Para a libanesa Maha Mamo, além de lutar pelo direito de existir, já que viveu anos sem nacionalidade, foi preciso também batalhar por um espaço na sociedade para ser ouvida enquanto mulher. Tanto no seu país de origem, quanto no Brasil.

"Se você está arriscando, empreendendo, dizem que isso é errado, que você tem que ter um trabalho fixo, aceitar o que eles te dão. Então é muito desafiador. Também tem as expectativas que as pessoas têm de você. Eu acho que eu sou uma pessoa muito livre e gostaria de viver do jeito que eu gosto, não do jeito que as pessoas esperam”, diz Maha.

Maha se tornou a primeira refugiada a conquistar direitos a partir da nova Lei de Migração (Lei nº 13.445), que entrou em vigor em 2017.

"No Brasil, eu consegui ser eu mesma, mas como mulher, me sinto insegura de andar sozinha na rua", conta Maha, que perdeu o irmão em uma tentativa de assalto pouco depois de conseguirem os documentos brasileiros.

Além disso, segundo ela, apesar de ter se sentido acolhida no Brasil, ainda há muito o que fazer quanto à igualdade de gênero.

"Eu acho que as oportunidades dadas para os homens são muito maiores do que para uma mulher, porque mesmo no ramo em que eu trabalho, hoje como palestrante, é muito difícil ir a campo só pelo fato de ser mulher", diz.

Apesar das dificuldades, a luta de Maha tem sido reconhecida. Em dezembro do ano passado, ela esteve em Brasília para receber a condecoração da Ordem de Rio Branco. A insígnia é atribuída a pessoas físicas, jurídicas, corporações militares ou instituições civis, pelos serviços ou méritos excepcionais.

 

Liberdade limitada

Nana Jabbour, 23 anos, estudante de farmácia — Foto: Arquivo pessoal

"Eu vim para Brasília com a minha família em 2013, eu tinha 12 anos. Viemos por conta da guerra da Síria, que segue até hoje. Nós não conhecíamos ninguém próximo no Brasil, mas era um dos únicos países que, na época, oferecia vistos para os sírios”, lembra Nana Jabbour.

A jovem, que cursa farmácia na Universidade de Brasília (UnB), conta que "está vivendo um sonho". Apesar das dificuldades que enfrentou para aprender uma nova língua e se adaptar a uma cultura distinta, ela diz que, no Brasil, se sentiu mais livre.

"No meu país, a mulher é mais aprisionada pelo que a sociedade vai achar e julgar dos seus atos e das suas decisões. Então acaba sendo uma 'liberdade limitada', sempre com medo do que vão achar e como ela vai ser vista", diz.

Nana também afirma que observa diferenças entre ser mulher na Síria, e no Brasil.

“Aqui no Brasil, apesar das mulheres sofrerem muito ainda com a injustiça e o machismo, elas são mais livres do que as mulheres no Oriente Médio, principalmente em relação ao trabalho e ao lugar que ocupam na sociedade”, afirma Nana.

Número de mulheres imigrantes aumentou nos últimos anos

Segundo estudo do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), o número de mulheres imigrantes no país tem aumentado. Comparando os anos de 2011 e 2021, o número de mulheres imigrantes registradas em 2021 é aproximadamente 3 vezes maior que o de 2011, com 67.722 registros.

Ainda segundo a pesquisa, as mulheres imigrantes aumentaram substancialmente a participação no mercado de trabalho formal no país durante o período de 2011 a 2021. Em 2011, havia 19.095 mulheres imigrantes no mercado de trabalho formal no Brasil. No final da década, esse número passou para 60.775, um crescimento de 68,6% em 10 anos.

“Na maioria das vezes, as ocupações que exercem demandam longas jornadas de trabalho e com baixa remuneração. Nesse sentido, é importante chamar aqui atenção para a necessidade dessas mulheres, quanto a condições laborais insalubres, longas jornadas e baixos salários”, diz o relatório da OBMigra.

Para além disso, o observatório também destaca que o número de crianças imigrantes que dependem das mães também aumentou. "Essas imigrantes necessitam de condições laborais que as permitam trabalhar e também exercer a maternidade”, pontua o OBMigra.

 

Matéria originalmente publicada no portal g1.globo.com (09/03/2023). Por Bruna Yamaguti, g1 DF. Para ter acesso ao texto original, clique neste link!

 

 

Convocatória para a Conferência Nacional Livre de Saúde das Populações Migrantes

Enviado em 07/04/2023 - 11:42

As populações migrantes residentes no Brasil são profundamente diversas e plurais, abarcando uma miríade de nacionalidades e de origens étnicas e raciais. Estima-se que haja 1,3 milhão de migrantes internacionais residindo atualmente no país, e, na última década, presenciamos um aumento de quase 25% da população migrante no Brasil. Grande parte deste contingente é formado por migrantes negros e indígenas oriundos de países como Haiti, Bolívia, Venezuela, Angola, República Democrática do Congo, Nigéria, Senegal, entre outros. Muitos destes migrantes têm acesso negado ou dificultado ao SUS, situação agravada durante a pandemia de Covid-19, o que fere frontalmente a universalidade do Sistema por meio do desrespeito ao princípio da equidade.

 

O Sistema Único de Saúde é uma conquista inestimável da sociedade brasileira. Sua universalidade, que garante acesso à saúde a todas, todos e todes, representa um marco histórico nas políticas de seguridade social do país. A universalidade, no entanto, só pode ser assegurada por meio da garantia da equidade, com a estruturação de ações que tornem o SUS responsivo às desigualdades constituintes da sociedade brasileira, observando de maneira diligente as particularidades sociais, econômicas e culturais das populações atendidas e provendo cuidado diferenciado em saúde na medida em que diferenças sociais, econômicas e culturais estão colocadas.

 

O controle social e a participação popular também são pilares fundamentais da estruturação do SUS. A 1ª Plenária Nacional Saúde e Migração, realizada em 2021, demonstrou que ações direcionadas à garantia da equidade no SUS são urgentes para garantir o acesso à saúde pública por essas populações, respeitando e observando suas diferenças linguísticas, culturais, étnico-raciais, econômicas e sociais, e garantindo o acesso ao SUS independente de suas situações migratórias ou documentais. Suas 174 propostas aprovadas foram fruto de amplo debate realizado pela sociedade civil e diferentes níveis de gestão do SUS.

 

Agora, é hora de consolidar o avanço representado pela mobilização iniciada em 2021. A 2ª Plenária Nacional Saúde e Migração, prevista para ocorrer no ano de 2023, dará lugar à realização de uma Conferência Nacional Livre de Saúde das Populações Migrantes, cujas deliberações serão inseridas no escopo da 17ª Conferência Nacional de Saúde. É urgente a aprovação de uma Política Nacional de Saúde para as populações migrantes residentes no país que as considerem em sua integralidade e em seus próprios termos, e que seja ciosa da participação social em sua construção.

 

Assim, as organizações listadas abaixo convidam todos, todas e todes a participar da construção deste fórum de importância fundamental para o momento em que vivemos. Migrar com saúde e com direitos!

 

As incrições para o evento online podem ser feitas por esse link.

 

Em Salvador, o evento acontece no Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO UFBA), no dia 20 de maio, às 14h.

Abertas as inscrições para II Curso de Introdução à Pós-graduação para Pessoas Cotistas (negras, LGBTQIA+, indígenas, refugiadas e PCD)

Enviado em 02/04/2023 - 11:55

Estão abertas as inscrições para a segunda edição do Curso de Introdução à Pós-graduação para Pessoas Cotistas (negras, LGBTQIA+, indígenas, refugiadas e PCD), parceria entre o Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade (Pós-Cultura/UFBA) e o Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas e Sociais (PPGCHS/UFOB).

O curso tem por objetivo abordar a construção de projetos de pesquisa, a escrita de memoriais acadêmicos e, ainda, preparar as pessoas cursistas para a realização de entrevistas de pós-graduação, bem como orientá-las individualmente na delimitação de seus temas de investigação.

As aulas ocorrerão de 10/04/23 a 14/04/23 (presencial, das 9h às 12h, PAF 5, Campus de Ondina, sala a definir), e as Oficinas individuais de orientação, de 17/04/23 a 19/04/23 (a definir por agendamento).

As inscrições podem ser realizadas de 28/03/23 a 05/04/23 através do formulário https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScsMX47srwpy2veRtQF4foxGl0hBTVe... (necessária uma conta gmail para realizar a inscrição)

Quantidade de vagas: 40 (apenas para pessoas NEGRAS, LGBTQIA+, indígenas, refugiadas e PCD).

O curso será ministrado pelos professores Carlos Henrique de Lucas (UFOB) e Leandro Colling (UFBA).

 

Original publicado em: https://poscultura.ufba.br/pt-br/abertas-inscricoes-para-ii-curso-de-introducao-pos-graduacao-para-pessoas-cotistas-negras-lgbtqia

NAMIR lança edital interno para seleção de bolsista

Enviado em 20/03/2023 - 22:21

 


O edital contemplará 1 bolsa de extensão para o Núcleo de Apoio a Migrantes e Refugiados da UFBA. 

 

As inscrições deverão ser feitas entre os dias 21 e 22 de março. Para acessar o edital completo, clique no link abaixo:

 

É publicado o e-book "Migração, Refúgio e Direitos Humanos: Reflexões de Pesquisas Contemporâneas"

Enviado em 18/03/2023 - 12:25

O e-book "Migração, Refúgio e Direitos Humanos: Reflexões de Pesquisas Contemporâneas", fruto de uma parceria de autores e pesquisadores da temática migratória, foi lançado na última sexta-feira (17/03), durante a mesa "Os Avanços e Retrocessos da Política Migratória" no Congresso UFBA 2023.

 

O livro poderá ser acessado gratuitamente, de forma digital, clicando no link abaixo.

 

Boa leitura! 

 

MIGRAÇÃO, REFÚGIO E DIREITOS HUMANOS: REFLEXÕES DE PESQUISAS CONTEMPORÂNEAS

NAMIR marcará presença no Congresso UFBA 2023

Enviado em 14/03/2023 - 21:01

Quem é Silvio Almeida, novo ministro dos Direitos Humanos de Lula

Enviado em 23/12/2022 - 10:46

Foto: Alice Vergueiro

Seu livro ‘Racismo Estrutural’ é uma das maiores referências do debate racial no Brasil

 


O advogado, filósofo e escritor Silvio Almeida, anunciado nesta quinta-feira 22 por Lula (PT) como o novo ministro dos Direitos Humanos do Brasil, é considerado uma das principais referências nos debates raciais do País.
 
O paulista de 46 anos integrante que recomendou que Lula revogasse as indicações feitas por Jair Bolsonaro para as comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos. Antes de integrar o grupo, Almeida ficou conhecido por seu trabalho no movimento negro, em especial com seu livro ‘Racismo Estrutural’,lançado em 2019. Antes, já havia publicado a obra ‘O direito no jovem Lukács: A filosofia do direito em ‘história e consciência de classe’. Formado em direito pela Mackenzie, universidade em que se tornou professor permanente de Direito Político e Econômico, Almeida também passou pelos corredores da USP para fazer seu doutorado e pós-doutorado na área. No Brasil, o advogado também leciona na FGV. Na área acadêmica, o brasileiro também foi professor visitante nas universidades de Duke e Columbia, ambas nos Estados Unidos.
 
Atualmente, além de professor, ele também ocupa o posto de presidente do Instituto Luiz Gama e do Centro de Estudos Brasileiros do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE). Almeida terá pela frente uma das pastas mais atacadas pelo bolsonarismo. O atual governo, além de reduzir drasticamente o orçamento no setor, pôs em prática diversas políticas públicas responsáveis pelo aumento da violência e morte da população brasileira,, em especial, as minorias.
 
No mês passado, uma denúncia chegou a ser encaminhada à ONU como as políticas climáticas de Bolsonaro causaram uma série de prejuízos que colocam em risco a existência das gerações futuras de todo o mundo. O ex-capitão, vale lembrar, também foi denunciado por crimes contra a humanidade durante a pandemia. É dele a afirmação de que ‘minorias devem se curvar para a maioria’.
 
Em outra passagem da vida pública, Bolsonaro também chegou a usar a frase que ‘quem procurava ossos era cachorro’ em seu gabinete, uma referência aos familiares que buscavam respostas sobre desaparecidos na ditadura. As políticas armamentistas e carcerárias do ex-capitão, ligadas ao Ministério de Justiça e Segurança Pública – comandado por Flávio Dino -, também precisarão de diálogos com a pasta de Almeida.
 
 

Matéria, originalmente publicada no site www.cartacapital.com.br (22/12/2022).Por Getúlio Xavier. Para ter acesso ao texto original, clique neste link!

 

 

Conheça Felipe Freitas, o secretário de Justiça e Direitos Humanos do governo Jerônimo Rodrigues

Enviado em 23/12/2022 - 10:36

Foto: Reprodução/Redes Sociais


Uma das novidades do secretariado de Jerônimo Rodrigues (PT), Felipe Freitas foi anunciado como secretário de Justiça e Direitos Humanos (SJDH) do futuro governador. Atualmente, Freitas é professor do corpo permanente do Programa de Pós-Graduação em Direito Constitucional do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), e professor colaborador da UFBA.

O futuro secretário atuou no governo de Jaques Wagner (PT) como assessor técnico na área de igualdade racial e políticas públicas de juventude. Além disso, possui experiências na esfera federal e, como consultor, acumula muitas atuações na Organização das Nações Unidas.

Freitas é formado em direito pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), e mestre e doutor em Direito pela Universidade de Brasília (UNB).

A SJDH tem como finalidade executar políticas públicas voltadas à proteção e promoção dos direitos humanos. Até então a pasta era chamada de Justiça e Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), mas Jerônimo já sinalizou que criará uma pasta específica para Desenvolvimento Social.

 

Matéria, originalmente publicada no site bahianoticias.com.br(19/12/2022). Por Leonardo Almeida.  Para ter acesso ao texto original, clique neste link!

 

Ministério da Cidadania e OIM lançam guia com orientações para atendimento a migrantes vulneráveis pelo Sistema Único de Assistência Social

Enviado em 22/12/2022 - 10:17

Foto: Site OIM Brasil


O Ministério da Cidadania e a OIM, Agência da ONU para as Migrações, lançaram, em evento realizado nesta segunda-feira (19/12), o Guia de Atendimento a Migrantes Internacionais no Âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS). A publicação apresenta diretrizes gerais e orientações técnicas para pessoas gestoras e trabalhadoras da rede SUAS, com objetivo de qualificar o atendimento prestado a migrantes em situação de vulnerabilidade e se insere no escopo do acordo de cooperação entre as instituições. 

“Gostaria de destacar a importância das populações migrantes em situação de vulnerabilidade serem contempladas pelas políticas públicas e acesso aos direitos e serviços garantidos pela legislação brasileira, entre eles, o Sistema Único de Assistência Social.  O objetivo desse guia é de facilitar e aprimorar o acesso aos serviços socioassistenciais sensibilizando os profissionais que atendem os migrantes”, afirmou o Chefe de Missão da OIM na mesa de abertura do evento. 

 

Jornalista afegão, sentado à esquerda, e a tradutora à direita.

Jornalista afegão, Miwrais Akbari, destaca a importância da assistência social desde que chegou ao Brasil.
 

 

 

A importância deste atendimento pela assistência social foi destacada na fala de Miwrais Akbari, jornalista afegão que veio para o Brasil após conseguir um visto humanitário. “Agradeço a assistência social, que me recebeu desde que cheguei ao Brasil, em especial a assistência que recebi no CREAS [Centro de Referência de Assistência Social] e à assistente social Sofia, que me ajudou a me cadastrar para receber os serviços de assistência, a entender como receber auxílio financeiro e me guiou e auxiliou a ter informações sobre minha família, que está no Irã, e como dar início ao processo de reunificação familiar”, ressaltou. 

O processo de construção do material foi participativo. O texto-base foi apresentado em oficina com representantes de dezenove governos locais, entre municipais e estaduais, das cinco regiões brasileiras, participantes da plataforma MigraCidades, ferramenta de fortalecimento da governança migratória local da OIM e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e sugestões feitas pelo grupo foram incorporadas ao guia. 

“Cada vez mais os municípios e estados vêm lidando com a situação migratória e, muitas vezes, os trabalhadores não têm as ferramentas ou até mesmo o conhecimento para lidar com uma situação do público migrante que é muito específica e necessita de um aprofundamento e de um olhar diferenciado para serem bem atendidos dentro das diretrizes do SUAS”, destacou o Secretário Nacional de Assistência Social Substituto do Ministério da Cidadania, Danyel Iório. 

O documento está dividido em quatro eixos: (1) Introdução às Migrações Internacionais; (2) O papel do SUAS no contexto migratório; (3) Atendimento Socioassistencial a Migrantes no SUAS; e (4) Atendimento a públicos específicos de pessoas migrantes. Por fim, é possível ainda encontrar as principais referências usadas na construção do material e um breve glossário sobre regularização migratória. 

O Guia de Atendimento a Migrantes Internacionais no Âmbito do Sistema Único de Assistência Social faz parte do projeto “Construindo e Fortalecendo a Capacidade de Atores Locais para Abordarem a Migração em Coordenação com as Autoridades Federais no Brasil” financiado pelo Fundo da OIM para o Desenvolvimento. 

 

Matéria, originalmente publicada no site, brazil.iom.int(21/12/2022). Para ter acesso ao texto original, clique neste link!

 

O que inspira as políticas para mulheres da Bahia ao Bahrein

Enviado em 20/12/2022 - 11:11

 

 


Todo ano, o mundo se mobiliza nos 16 Dias de Ativismo pelo fim da violência contra as mulheres. O objetivo é fortalecer e visibilizar ações promovidas com esse propósito por organismos e entes públicos. No Brasil o período é estendido e vai de 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, a 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. Nesse sentido, os esforços são universais, assim como são os direitos humanos.

Essa mobilização nasce da práxis feminista se baseando na participação coletiva para promoção das políticas para as mulheres e em diversas experiências, desde as transmitidas oralmente por gerações, até as formulações acadêmicas que conferem cientificidade e alcançam espaços de poder.

 

É em meio a essa simbologia que a Bahia chega ao último mês de 2022 com um reconhecimento jamais recebido pelo Brasil ou qualquer outro país da América Latina: o prêmio global Princesa Sabeeka, iniciativa da ONU Mulheres e do Reino do Bahrein, à DPE-BA. A escolha foi feita por seleto corpo de jurados que envolveu vice-secretária Geral da ONU, autoridades, acadêmicas de diversas universidades do mundo, e reafirma a importância de um modelo público de assistência jurídica na área de direitos humanos que atue em rede nos processos judiciais, mas que forme lideranças comunitárias, refletindo institucionalmente em políticas de equidade de gênero nos espaços de poder.

A premiação ocorre a cada dois anos e valoriza iniciativas em diversos países, permitindo que organizações da sociedade civil ou entes públicos apresentem suas práticas e estratégias. Vale frisar que a DPE-BA muito aprendeu com a Rede de Atenção a Mulheres em situação de violência de Salvador. Há mais de 20 anos, o Coletivo agrega a experiência de mulheres de movimentos sociais, poder público, profissionais de atenção à mulher e núcleos universitários de estudos sobre gênero. Deve-se à Rede maior parte da implementação das políticas públicas de gênero na Bahia.

"Neste 2022, essa Rede de grandes expressões políticas feministas no poder tem muito do que se orgulhar."

 

Foi desse espaço que partiu a articulação para criação e ampliação das DEAM's, Varas de Violência Doméstica e Familiar, Projeto Viver e, também, o Núcleo de Defesa da Mulher-NUDEM da DPE-BA, que ganhou densidade a ponto de se tornar uma referência global.

Neste 2022, essa Rede de grandes expressões políticas feministas no poder do legislativo, executivo e sistema de justiça, tem muito do que se orgulhar. Temos consciência do muito que há por construir e reconstruir num Brasil que vive grande desigualdades que atingem grupos historicamente vulnerabilizados. A experiência da nossa atuação pela, e na Rede, é, sem dúvidas, reveladora desses desafios históricos, mas de um método de produção política das práticas feministas, antirracistas, anticapacitistas que apontam para um futuro mais esperançoso para a vida das mulheres.

 

 

 

 

Artigo de opinião atarde.com.br, (14/12/2022). Por Firmiane Venâncio, Subdefensora Pública Geral do estado da Bahia e Marta Rodrigues, Vereadora de Salvador pelo PT.